Tornando-se
uma bênção!
O
ensino de Jesus a respeito do amor ao próximo, que foi tão bem ilustrado na parábola do bom samaritano, é mais uma demonstração de que não é possível
um verdadeiro e genuíno cristianismo
sem uma “ação social”. Amar o próximo, como ensina uma parábola bíblica,
é superar todas as barreiras culturais e fazer o bem ao semelhante, de modo desinteressado
e incondicional. Aliás, o apóstolo Pedro, ao sintetizar o ministério de Cristo,
disse que Ele andava “fazendo bem” (At.10:38), a demonstrar, pois, que a “ação social”
era um dos sustentáculos do ministério terreno do Senhor.
Jesus, em muitas ocasiões,
referiu-Se aos pobres e não só no sentido espiritual da palavra, ou seja,
aqueles que se fazem dependentes de Deus, carentes de Deus e aceitam a Sua soberania,
mas também no sentido material da expressão, pois, se assim não fosse, como entender
que Jesus possuía uma bolsa para os pobres (Jo.12:6; 13:29), bem como mulheres que
contribuíam financeiramente para este serviço (Lc.8:3)?
Outra demonstração de que o ministério de Jesus também
abrangia a ação social vemos no próprio comportamento dos discípulos que, nos
tempos apostólicos, sempre cuidaram dos necessitados, particularmente das
viúvas, como nos atestam textos como At.2:45; 6:1; II Co.9; I Tm.5:3-5. Vemos,
portanto, que, se os discípulos assim procediam é porque assim havia sido o
procedimento do seu Mestre e Senhor, a quem imitavam.
Há uma distinção entre “assistência social” ou “serviço
social” e “ação social”. O “serviço social” é identificado com o conjunto de
atividades que têm, por finalidade, a satisfação imediata de carências surgidas
num determinado grupo de pessoas, uma ação de caráter “curativo”, um remédio
para uma necessidade surgida. Já a “ação social” é identificada como um
conjunto de atividades que visa não a satisfação de uma necessidade, mas a
eliminação da causa desta necessidade, que tem em vista a modificação do quadro
existente, a alteração da própria sociedade, tornando-a mais justa.
No episódio retratado no
livro de Atos, houve um exercício de “assistência social” ou “serviço
social”, pois se constituiu o diaconato para suprir as
necessidades das viúvas sem que houvesse acepção de pessoas, mas não se
resolveu o problema como um todo, tanto que, anos depois, Paulo precisou fazer
coletas para ajudar os pobres de Jerusalém, já que não havia como se manter a
suficiência se os crentes haviam vendido seu patrimônio e não havia fonte de
produção de novas riquezas (Rm.15:26).
Assim, para aqui citarmos conhecido provérbio chinês,
a Igreja não deve apenas se preocupar em “dar o peixe” para o faminto (que é “assistência
social”), mas também em “ensinar a pescar” (que é a “ação social”).
Uma das demonstrações de que a “ação social” da Igreja
é uma necessidade é que é ele a demonstração do próprio “amor ao próximo”, que
Jesus considerou como sendo um dos dois mandamentos a que se resumia a lei e os
profetas (Mt.22:39,40). Sendo o amor uma característica indispensável para quem
diz ser filho de Deus, é como se fosse o próprio DNA espiritual do cristão
sincero e verdadeiro, devemos observar que este amor não é apenas a essência da
comunhão entre Deus e o homem, o próprio núcleo da vida espiritual, mas é, como
afirma Paulo, o primeiro “gomo” do fruto do Espírito (Gl.5:22), ou seja,
necessariamente este amor tem de se traduzir em atitudes, em ações, tem de se
manifestar fora do indivíduo.
Abraços
abençoados



Nenhum comentário:
Postar um comentário