quinta-feira, 31 de maio de 2012



SUPERSTIÇÕES – UMA PRÁTICA PAGÃ

Nos últimos anos, têm surgido modismos que claramente chocam-se com as Sagradas Escrituras e significam um retrocesso na luta protestante. Muitos grupos que se dizem protestantes pregam e praticam coisas que envergonham o protestantismo. 


Alguns casos de supersticiosidade entre evangélicos são menores, outros são mais graves. Alguns exemplos do primeiro tipo são deixar a Bíblia aberta no Salmo 91 para afastar desgraças; utilizar a expressão “Tá amarrado!” de forma séria, como uma espécie de precaução espiritual; abrir a Bíblia aleatoriamente para “tirar um versículo” que funcione como a orientação de Deus para tomarmos uma decisão; trocar a leitura sistemática e regular da Bíblia pela “caixinha de promessas”; reputar que a oração no monte tem mais eficácia do que a feita dentro do quarto ou na igreja; dormir “empacotado” para que Deus, ao nos visitar à noite, não se entristeça; usar fitinhas ou pulseirinha no punho para atrair saúde, amor, amizade, dinheiro, etc... e acreditar que objetos ou algum suvenir de Israel (pedrinhas, água do Rio Jordão, folhas) têm algum poder especial. 


São superstições que são exatamente uma volta à teologia romanista da Idade Média. Se não, vejamos: Não seria o uso de elementos como galhinho de arruda, sal grosso e copo d'água na liturgia uma volta ao misticismo medieval, tão condenado pelos reformadores?
A Bíblia condena a supersticiosidade  - A Bíblia, diferentemente de muitas obras religiosas do mundo, não é baseada em superstições, mas é a Palavra de Deus (2Tm 3.16-17).  A Arqueologia tem mostrado dia após dia a veracidade da narrativa bíblica, mostrando que tanto o Antigo quanto o Novo Testamentos não são depositários de mitos. O Evangelho está enraizado em fatos históricos, não em mitos. Ele é baseado no testemunho ocular de vários homens, como enfatiza o apóstolo Pedro: “Porque não nos fizemos saber a virtude e a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo seguindo fábulas artificialmente compostas, mas nós mesmos vimos a sua majestade” (2Pe 1.16).


Além disso, a Palavra de Deus condena veementemente a magia e a feitiçaria, bem como a supersticiosidade. As fábulas, crendices e os falsos ensinos são combatidos nas Sagradas Escrituras (2Tm 4.1-4). A expressão grega traduzida por fábula nesse texto de 2 Timóteo e em 1 Pedro é mythos. Ela é usada para descrever uma narrativa que, além de fictícia, é enganosa, sendo geralmente elaborada por um mestre falso com o objetivo de iludir.  Em 1 Timóteo 1.4, Paulo exorta seu filho na fé para que “não se dê a fábulas”, neste caso uma referência às lendas forçosamente relacionadas a narrativas do Antigo Testamento. Elas aparecem descritas pelo mesmo apóstolo em Tito 1.14 como “fábulas judaicas”. Paulo ainda chega a ironizar a superstição judaica, chamando tais crenças sem fundamento de “fábulas profanas e de velhas” (1Tm 4.7). O apóstolo estava querendo dizer a Timóteo que, por não terem base bíblica, por serem simplesmente invenções humanas, criações que se tornaram populares para enganar o povo, eram ímpias, só servindo mesmo para entreter as conversas de velhinhas caducas. 


Já no caso do texto de 2 Pedro 1.16, a referência é às histórias fabulosas, crenças e superstições criadas pelos primeiros mestres gnósticos, que para difundi-las se utilizaram da divulgação de evangelhos apócrifos por eles mesmos escritos. Enfim, a Bíblia é enfática contra a superstição. Portanto, fujamos de todo tipo de superstição. Que a nossa fé seja absolutamente bíblica!



terça-feira, 29 de maio de 2012




              
     ORAÇÃO   –   O  DIÁLOGO  COM DEUS


Não é possível se ter comunhão com Deus se não houver comunicação e a principal forma de comunicação do homem para com Deus é a oração. Não podemos permitir, de forma alguma, que os dias maus em que vivemos sejam uma grande arma do adversário para nos impedir de ter uma vida espiritual saudável conforme os ditames bíblicos. Todos nós sabemos que não podemos, no sentido físico, viver um dia por semana, ou alguns dias no mês. Se isto é uma realidade no ponto-de-vista físico, onde o homem é comparado a uma flor da erva, que, pela manhã, está viçosa e bela, e ao entardecer já está seca e sem qualquer esplendor (I Pe.1:24), que dirá a vida espiritual, que é a melhor parte.

Portanto estimáveis leitores, o nosso cuidado diário no nosso relacionamento com Deus deve ser prioridade e devemos lutar incansavelmente para que esta porção não nos seja roubada. O ladrão age sutilmente na nossa FALTA DE VIGILÂNCIA e este tem sido um dos aspectos que mais tem colaborado para o FRACASSO ESPIRITUAL de muito. Falta de vigilância gera fracasso espiritual. A vida espiritual é uma vida de comunhão com Deus.

 Quem está em comunhão com Deus discerne a vontade de Deus, segue a direção de Deus, sabe perfeitamente como agradar a Deus, têm condições de apresentar o seu corpo em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, ou seja, de lhe prestar o culto racional (Rm.12:1. A comunhão com Deus exige duas ações que são indispensáveis para que estabeleçamos uma "união no mesmo estado de espírito" com Deus: a oração e a leitura da Palavra de Deus.

Não pode existir uma vida real de comunhão com Deus sem que haja oração. A oração é o canal de comunicação com Cristo. Nas páginas da Bíblia, veremos sempre, que os grandes homens de Deus eram homens de oração, e que também os grandes fracassos espirituais descritos ali foram por falta de vigilância e oração, a falta de diálogo com Deus. Quando o homem se distancia de Deus, logo perde o contato, perde a comunicação com o Senhor.

A oração não é uma mera faculdade que esteja à disposição do cristão apenas nas horas de angústia ou de necessidade. Muito pelo contrário, a oração é um dever do cristão é algo obrigatório. Quem diz isso, que a oração é um dever é o próprio Cristo. Certa feita, o Senhor contou aos discípulos uma parábola, a parábola do juiz iníquo, para ilustrar o "dever de orar sempre e nunca desfalecer" (Lc.18:1). Assim, o crente que não ora é, antes de tudo, alguém que está em falta diante de Deus. É importante observar que esta ideia da oração como um dever cristão não é enfatizada devidamente no meio evangélico.

 Jesus disse que o dever de orar se caracteriza por duas propriedades: deve-se orar sempre e nunca se deve desfalecer.

Orar sempre significa nunca deixar de orar. Orar sempre significa que não há tempo nem lugar certo para orar. A oração deve ser uma constante em nossas vidas, daí porque o Apóstolo Paulo ter dito que devemos "orar sem cessar" (I Ts.5:17). Orar sempre significa estarmos dispostos e prontos a orar ao Senhor a cada instante, em cada situação.

Se devemos orar sempre, Jesus também salientou que o dever de orar impõe uma outra conduta: o de nunca desfalecer. Nunca desfalecer, na tradução da Bíblia NVI (Nova Versão Internacional), significa nunca desanimar. O dever de orar impõe o dever da perseverança, da insistência, de confiança diante de Deus. Quem ora deve ter a convicção, a certeza de que Deus está ouvindo a sua oração e de que Deus irá responder ao clamor e também irá providenciar o melhor para aquele que O busca.

A oração daquele que desiste, daquele que esmorece, daquele que não insiste é algo igualmente vazio, sem qualquer validade diante de Deus. Portanto meus queridos leitores, seremos sempre perseverantes, sempre insistentes, sempre confiantes no Senhor. É dEle que vem a resposta!! É dEle que vem as nossas bênçãos.


Abraços abençoados!!



quarta-feira, 23 de maio de 2012





ORAÇÃO DOMINICAL


A ORAÇÃO QUE JESUS NOS ENSINOU

 A oração que o Senhor nos ensinou, a chamada "oração do Senhor", "oração dominical" ou, como é conhecido, a oração do "Pai nosso". Esta oração não é um modelo, ou seja, não foi ensinada pelo Senhor para ser repetida automaticamente, como uma reza, como muitos a têm tornado, mas, muito pelo contrário, nela temos uma verdadeira aula de como devemos orar a Deus. Quem quer aprender a orar, deve ler esta lição de Jesus e, com certeza, ao aplicá-la, estará orando corretamente e de forma agradável ao Senhor. O fato de Jesus nos ensinar a orar mostra claramente que a oração embora não é algo repetitivo, de aparência exterior. A oração tem que ser espontânea, algo que esteja ao arbítrio de quem ora. Não é ficar repetindo palavras, sendo papagaio de pregador.

Algumas pessoas costumam dizer de uma tal de oração forte. Existe essa oração?

Oração FORTE, oração FRACA. Temos ouvido alguns pregadores falar em “oração forte”. Que oração é essa que não faz parte do Evangelho de Cristo? Porque na Bíblia não encontrei essa tal oração forte.  E o que não consta no Evangelho não é bíblico, e não sendo bíblico não poderá ser praticado porque é doutrina de homem, e está fora dos propósitos de Deus. Oração forte é uma linguagem herdada do espiritismo. No Evangelho de Mateus 21.22,  Jesus disse: “E tudo o que pedirdes na oração, crendo, o recebereis”. A Bíblia não menciona oração forte ou oração fraca, a Bíblia diz: Tudo o que pedirdes “crendo o recebereis”. Esta é a condição, ter fé suficiente para a sua oração chegar aos ouvidos de Deus. Crer incondicionalmente de todo coração, que as mãos do Senhor estão voltadas para te abençoar, quando pedimos alguma coisa que seja da vontade de Deus.

Na carta Universal do Apóstolo Tiago 5.15, 16 diz: A oração da fé salvará o doente, e o Senhor o levantará, e se houver cometido pecados, ser-lhe-ão perdoados. A oração feita por um justo pode muito em seus efeitos. Podemos observar no início deste texto que Deus não ouve a pecadores, portanto, não basta ter compromisso apenas com o dízimo, com campanhas, ou com o pastor da sua igreja, se não tiver despojado do velho homem pecador e revestido do novo nascimento de Cristo em seu coração. Tudo isso será em vão.

A oração dominical começa com a expressão "Pai nosso" – essa expressão mostra toda a diferença entre os cristão e os gentios. Quando reconhecemos que  Deus é o nosso Pai, demonstramos que a relação que existe entre Ele e nós não é uma relação de senhorio, de propriedade, de domínio ou de cruel submissão, mas é uma relação de amor, de filiação, de intimidade, de comunhão. Ao chamarmos a Deus de nosso Pai, ao reconhecermos isto, estamos dizendo que confiamos nele e em Seu amor. E que nada, absolutamente coisa alguma de ruim para nós pode ocorrer, pois Ele nos ama. É por isso que Jesus insiste em que tenhamos a figura de Deus como Pai em nossas orações. A imagem de um Pai bondoso, sempre presente em nossas vidas. Um pai muito mais amoroso do que nosso pai terreno e que, portanto, nunca pode querer nos prejudicar ou nos causar dano. Aliás, o próprio Jesus nos disse que ”se vós, pois, sendo maus, sabeis dar boas coisas aos vossos filhos, quanto mais vosso Pai, que está nos céus, dará bens aos que lhos pedirem?” (Mt.7:11).

Mas a oração-modelo continua e nos lembra que este Pai bondoso, amoroso, misericordioso está nos céus, ou seja, é o Senhor do universo, o Soberano, Aquele que tem todo o poder. Lembrar que Deus é Pai  e que está nos céus, é lembrar que Ele não é nosso empregado, nem está à nossa disposição ou à disposição de nossos caprichos. Pare com esse calundu minha irmã! Pare com esse calundu meu irmão! Deixe Deus agir como Pai em sua vida. A oração nos leva a reconhecer que somos pobres e necessitados e que dependemos dos cuidados do Senhor (Sl.40:17). A oração nos faz assumir o lugar de filho.
Em seguida, a oração-modelo lembra-nos que o nome do Senhor é santificado, ou seja, que para termos uma verdadeira comunhão com Deus é necessário que estejamos em santidade diante de Deus. Os nossos pecados fazem separação entre nós e Deus (Is.59:2). Quando se fala em “santificação do nome do Senhor”, não devemos nos esquecer do conceito judaico que aqui se expressa. Muitos ficam assustados ao se falar em “santificação do nome de Deus”, visto que Deus é santo e, portanto, não precisa Se santificar. No entanto, a expressão tem um sentido bem preciso entre os judeus. E Jesus estava falando para os discípulos que eram... judeus. Certo?!

Para os mestres judaicos que elaboraram o Talmude (o segundo livro sagrado do judaísmo), “santificação do nome de Deus” estava relacionada com o mandamento de amor a Deus (Dt.6:5) no sentido de que cada um dos israelitas deveria fazer com que Deus fosse amado, ou seja, que o nome de Deus seria amado por causa de cada israelita, o que nos remete, imediatamente, às palavras de Jesus no sermão do monte, segundo as quais as nossas boas obras fariam com que o nome do Senhor fosse glorificado pelos homens (Mt.5:16).

Você entendeu?! Não entendeu? Vou explicar, preste atenção: Quando, na oração, pedimos ao Senhor que o Seu Nome seja santificado, estamos, na verdade, pedindo a Deus que sejamos instrumentos para a glorificação do Senhor enquanto aqui vivermos. Assumimos, assim, um compromisso de sermos canais pelos quais os homens glorificarão ao Senhor vendo Cristo em nossas vidas. Somos cristãos, ou seja, parecidos com Cristo. A nossa fidelidade a Deus fará com que as pessoas glorifiquem o nome do Senhor, reconheçam a Deus como o Soberano Deus do Universo. Entendeu? A oração, portanto, é a forma pela qual pedimos a Deus que sejamos uma bênção e não um escândalo. Você é uma bênção ou um escândalo?

 "Venha o Teu reino, seja feita a Tua vontade, assim na terra como no céu" , ou seja, quando oramos a Deus devemos ter a consciência de que devemos viver em submissão a Deus, ou seja, de que a vontade de Deus é o objetivo que devemos buscar para nossas vidas. Quando dizemos "venha o teu reino" estamos dizendo para Deus que queremos que Sua vontade se realize em nossas vidas, que Ele seja o nosso Senhor, Aquele que comanda as nossas vidas. Quão diferente é a oração daqueles "super-crentes", daqueles que, baseados nas falsas doutrinas da confissão positiva e da teologia da prosperidade, acham que a vontade deles é que tem de ser feita.

"O pão nosso de cada dia nos dá hoje" - a oração também envolve o aspecto material de nossas vidas, mas dentro de uma perspectiva de cumprimento da vontade de Deus e de Sua soberania. Deus não Se esquece das necessidades materiais do ser humano e sabe que, enquanto aqui estamos, precisamos de comida, de roupas, de calçados, e essa é a razão pela qual está disposto a nos conceder o necessário para a nossa sobrevivência (Mt.6:31-34). Mas devemos priorizar o reino de Deus e a sua justiça.

"E perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores". Neste ponto, Jesus quis nos deixar claro que a vida de comunhão com Deus deve refletir-se, necessariamente, em uma vida excelente no convívio social. O homem não foi feito para habitar sozinho. O homem foi feito para viver em sociedade (Gn.2:18). De sorte que quando é transformado pelo Senhor ele não guarda mágoas, rancores, ressentimentos. Como você pode pedir o perdão de Deus se você não perdoou o seu semelhante? Como você pode alcançar as promessas de Deus se você vive de calundu? Como você pode alcançar o perdão de Deus se você ainda não perdoou o seu filho, os seus pais, seus irmãos e amigos? Cuidado com as doenças psicossomáticas!! A falta de perdão gera até mesmo o câncer. Você sabia disso?

Na oração, devemos ter consciência de que nossa vida com Deus depende de nosso comportamento com o próximo.

 "E não nos induzas à tentação, mas livra-nos do mal" - Nesta parte da oração, Jesus lembra-nos do compromisso divino de nos livrar do mal enquanto vivermos neste mundo de aflições e que está imerso no maligno (I Jo.5:19), compromisso que foi ratificado e reiterado pelo próprio Senhor em Sua oração sacerdotal (Jo.17:15). Este compromisso é a certeza que o cristão tem de que o mal não lhe tocará ( I Jo.5:18), nem que o inferno prevalecerá contra a igreja (Mt.16:18). Isto não quer dizer que o crente sincero nunca terá dificuldades ou lutas, nem que não poderá sofrer. Não é isto!! Deus prometeu a vitória e somente há vitória após uma luta. Você está num deserto? Alegre-se!!! Deserto é lugar de vitórias.

"porque Teu é o reino, e o poder, e a glória para sempre. Amém." - A oração-modelo termina com uma expressão de adoração, parte indispensável em qualquer oração. É através da oração que expressamos nosso amor ao Senhor, que Lhe rendemos a glória que só a Ele é devida. Lamentavelmente, nos nossos dias, oração tem significado apenas um petitório. Somente pedimos, pedimos, pedimos e, para finalizar, pedimos. Nem sempre nos lembramos de agradecer ao que Deus nos fez, que dirá adorá-lO, render-Lhe glória e louvor. É fundamental que a nossa oração, pelo menos, tenha uma parte de adoração.

É preciso que louvemos e glorifiquemos ao Senhor.

Abraços abençoados!!

O Zero


Não precisa ser o primeiro


O Zero sentia-se vazio. Olhava para si mesmo e não gostava do que via: era aquela enorme barriga; era a incapacidade de sobressair; era a falta de um caráter vincado.

Achava mesmo que não valia nada. Já muitas vezes tentara ser esguio como o 1, elegante como o 4 ou belo como o 7, mas nem sequer conseguia a pequena proeza de esticar uma haste para se assemelhar ao 6 ou ao 9.

Era realmente uma nulidade. Mas o pior de tudo nem sequer era o aspecto, pois já se tinha habituado a isso e os outros também nunca o tinham visto de outra forma. Não, o pior nem era olhar-se ao espelho: o pior era quando olhava para dentro de si mesmo. Não valia nada, pronto! Era isso. Nunca tinha feito nada de que se pudesse realmente orgulhar; tinha as mãos vazias; nunca deixaria o nome na história ou marcas no mundo. Não passava de um zero. Mas, então, por que razão tinha consigo todos aqueles sonhos, aquele desejo de grandeza, a vontade de se lançar a tarefas gigantescas? Era um zero e sentia dentro de si uma enorme tendência para o infinito.

Ora, isso - pensava ele - não tinha lógica nenhuma. Era até contraditório. E filosofava: Via-se logo que os números tinham sido uma invenção dos homens. Por isso não batiam certo. Se tivessem sido obra de Deus, tudo teria sido diferente. Sendo assim, paciência.

Mas o Zero estava de longe de se resignar com a situação. Alguma coisa lá por dentro se recusava a aceitar pacificamente estas filosofias, ainda que elas servissem perfeitamente como justificação para a sua nulidade e para a vida preguiçosa que levava. E, no fim de contas, talvez os algarismos não fossem uma invenção dos homens. Muitas vezes dizia para si mesmo que não podia fugir à sua natureza, à incapacidade com que nascera.

Sentindo-se incapaz do esforço de alcançar o infinito, que chamava por ele, repetia cinquenta vezes por dia que o infinito não existia. Para se convencer a si próprio. Para se poder entregar tranquilamente à doçura de uma vida sem montanhas para subir. No entanto, aquela doçura acabava por o maçar. Tornava-se amarga: não na boca, mas num lugar qualquer que ele não sabia identificar com exatidão. Ora, aquilo lhe doía muito. Era como se tomasse veneno.

O Zero sabia a solução, a resposta, a verdade, mas fugia de pensar nisso. Também lhe doía... O Zero sabia que o verdadeiro problema não era a preguiça nem a falta de capacidade. A questão importante era o orgulho. Sucedia que o orgulho o levava a procurar sempre o primeiro lugar quando se juntava aos outros algarismos para fazerem alguma coisa em conjunto. Conseguia esse lugar porque era o mais forte de todos, mas os outros algarismos não achavam aquilo bem. E quando isso sucedia formava-se uma barreira, uma vírgula, entre ele e os outros. E, assim, com o Zero no primeiro lugar e a vírgula logo a seguir, aquilo que faziam não valia quase nada.

O Zero pressentia que, se aceitasse um dos últimos lugares, tudo seria diferente. Talvez então pudessem, em conjunto, aproximar-se do infinito e até tocar-lhe. Talvez assim se abrissem as portas a todos os sonhos que desde sempre trouxera consigo. Mas teria - assim pensava - de se curvar perante os outros, e baixar a cabeça era para ele uma impossibilidade. Mas o zero não entendia que para ser forte, vitorioso e ocupar lugares de honra não precisava  ser o primeiro. Ele precisa ser forte sendo o segundo, terceiro, quarto... e as vezes o melhor lugar é o último. Ele entendeu que o primeiro número só era forte se a família zero lhe auxiliasse.

PARA REFLETIR: A glória de baixar a cabeça e se colocar no último posto faz a grandeza de um homem. É que estas transformações são sempre muito íntimas e dolorosas, mas vale a pena ser um zero, desde que seja sempre atrás daqueles que quer ser o primeiro.

Abraços abençoados






Jejum com propósitos
Conquistando o coração de Deus

O jejum é a abstenção total ou parcial de alimentação com a finalidade de aprimoramento do exercício da oração e da meditação. É uma prática encontrada nas mais antigas religiões da humanidade, em todos os lugares e nos mais variados estágios da civilização.

A Bíblia não considera o jejum como uma penitência ou um sacrifício necessário para o desenvolvimento espiritual, pois devemos também ter o nosso corpo envolvido no anúncio da salvação, tanto que Deus o tornou templo do Espírito Santo (1Co.6:19). O jejum é uma prática recomendada, mas é um método para reforço da oração, não algo que possa trazer algum mérito ou que demonstre haver algum merecimento na vida de algum homem, pois tudo o que recebemos de Deus é fruto da Sua imensa misericórdia e graça (Lm.3:22). Este errôneo conceito de jejum próprio dos gentios, foi o motivo da reprovação da prática farisaica, como vemos no sermão do monte (Mt.6:16). Assim, ao contrário do que argumentam alguns falsos mestres nos nossos dias, Jesus não reprovou o jejum, mas, sim, este errado conceito de jejum.

Quando falamos em jejum, há aqueles que entendem que o jejum é a abstinência completa de todo e qualquer alimento, tanto água quanto os demais alimentos, não aceitando a idéia de que possa existir um jejum parcial. Entretanto, devemos compreender o jejum como uma abstinência total ou parcial de alimentação. O jejum envolve uma abstinência, uma privação, que pode não ser completa. Um exemplo bíblico de jejum parcial encontramos em Dn.10:3, onde o profeta afirma que não comeu manjar desejável, num exemplo de que a abstinência não era total. Desta forma, não temos respaldo bíblico para afirmar que todo e qualquer jejum somente é válido se for total.
O conceito de jejum, ademais, não envolve apenas a ideia de privação alimentar. O jejum, também, é caracterizado pela existência de um propósito, de uma finalidade precisa e clara. É exatamente este o ponto em que Jesus discordava dos jejuns praticados pelos fariseus, que eram práticas rituais, formais, meras ostentações, sem qualquer propósito senão o da auto-glorificação e da auto-exaltação. Devemos jejuar sempre que temos um motivo, um propósito, um objetivo definido e estabelecido. Sem que haja este propósito, o jejum será tão somente uma privação alimentar, uma dieta. É a existência deste propósito e desta finalidade que difere o jejum de uma simples privação alimentar. Jejuar é muito mais do que simplesmente passar fome e sede e é neste particular que muitos têm fracassado: buscam no jejum uma ostentação, uma auto-glorificação e o que conseguem, com isso, além da reprovação divina, é tão somente instantes de privação alimentar, uma dieta que, às vezes, nem benefícios traz para a saúde física do que jejua.

As pessoas que não têm condições de jejuar, seja pela sua saúde física, seja pela sua idade, seja pela natureza de suas atividades que impedem tal prática, não devem se martirizar ou achar que serão menos crentes porque não podem jejuar, mas devem compensar esta impossibilidade por outras práticas igualmente relevantes e edificadoras, como a oração e a prática do amor cristão.

Na lei de Moisés, o jejum foi estabelecido como obrigatório no dia da expiação, quando o povo deveria "afligir a sua alma", expressão que significa, precisamente, praticar o jejum (Lv.16:29 - na Nova Versão Internacional, o texto diz : vocês se humilharão (ou jejuarão)). Vemos, portanto, que o primeiro propósito do jejum que se encontra na Palavra de Deus é o de humilhação, de arrependimento de seus pecados. Esta mesma idéia para o jejum encontramos no tempo de Samuel (I Sm.7:1-12) e até mesmo fora de Israel, como ocorreu entre os ninivitas após a pregação de Jonas (Jn.3:6-10).

Nos dias de Jesus, o jejum era uma prática constante e regular entre os judeus, desde os essênios, que se isolavam da sociedade, até os fariseus, que era o grupo religioso mais numeroso daqueles dias. Os discípulos de João Batista também jejuavam (Mt.9:14). Indagado sobre o motivo pelo qual Seus discípulos não jejuavam, Jesus respondeu aos discípulos de João Batista que não era o período de Seu ministério o tempo oportuno de jejuar, mas dias viriam em que deveria haver jejum por parte dos cristãos (Mt.9:15).

O próprio Jesus afirmou, categoricamente, que os crentes haveriam de jejuar, prova de que isto não foi abolido pelo Senhor. Jesus não disse que os cristãos não jejuariam, mas que não se fazia necessário jejuar enquanto Ele estivesse ali, ao lado dos discípulos, em carne e osso, orientando-os, ensinando-os e os guardando de todo o mal. Por que precisariam jejuar numa situação como esta? Entretanto, após a glorificação do Senhor, já vemos a igreja jejuando para buscar a orientação do Espírito Santo (At13:2).

O mais importante aspecto do jejum é o seu lado espiritual, ou seja, somente pode jejuar quem estiver em comunhão com o Senhor, ou seja, a privação de alimento somente tem validade quando a pessoa, antes de se abster da comida e da bebida, já se absteve do pecado, da prática do mal. Este ensinamento encontra-se no livro do profeta Isaías, no seu capítulo 58.

Abraços abençoados.

segunda-feira, 21 de maio de 2012



O LÍDER E SUA FAMÍLIA
               Uma liderança consistente e eficaz

Quando falamos de líder e liderado, três dos melhores exemplos para nós são: Patrão e Empregado, Pais e Filhos, Pastor e Ovelha. Desejo falar de um personagem que ficou conhecido na história da humanidade pela sua bravura como líder (pastor) e obediência como liderado (ovelha). A figura do pastor como ilustração do líder mostra-nos que o líder está disposto a perder o seu bem mais valioso, que é a vida, em prol dos liderados. O bom Pastor, diz o Senhor Jesus, dá a sua vida pelas ovelhas. Davi aprendeu bem esta lição, pois, no diálogo com Saul, quando se apresentou para lutar contra Golias, mencionou dois episódios em que, para salvar a vida de suas ovelhas, pôs a sua própria vida em risco. Este mesmo amor e dedicação que aprendera no exercício do pastoreio das ovelhas de seu pai Jessé foi o móvel que o levou a enfrentar o gigante filisteu (1Sm.17:34-36).
Havia uma separação entre o rei Saul e o povo, não havia compreensão por parte de Saul dos sentimentos do povo, como, aliás, ficou bem claro no episódio em que Jônatas chegou a ser condenado à morte por Saul (1Sm.14:24-46). O rei Saul não tinha sido “adestrado” na escola das ovelhas como Moisés ou Davi. Foi feito rei quando procurava as jumentas de seu pai, não as tendo encontrado, nem sequer se preocupado em avisar seu pai Cis do que lhe acontecia, tanto que seu pai já o estava procurando (1Sm.10:2,14).
Torna-se indispensável ao líder que se identifique com seus liderados, a fim de que sua liderança seja consistente e eficaz. Saul, pela falta de identificação com o povo, viu espalhar-se o seu exército, apesar de suas vitórias militares e de seu porte físico. Quantos, na atualidade, não veem o rebanho de Deus sair de suas mãos, pela sua separação do meio do povo, pela sua falta de identificação com o povo?
Davi, no pastoreio das ovelhas de seu pai, aprendeu a dar a sua vida pelas ovelhas, aprendeu a lição da dedicação, da compaixão, do cuidado, do zelo. Mas, não devemos nos esquecer, Davi era pastor das ovelhas de seu pai. No pastoreio, também, aprendeu uma importante lição que é indispensável à liderança: a lição da obediência. Vemos que Davi era extremamente obediente a seu pai Jessé. Não tendo sido convidado para o banquete na casa de seu pai com o profeta Samuel, manteve-se no seu lugar, cuidando das ovelhas. Somente se apresentou em casa quando chamado por Jessé. Também não se ausentou de sua casa enquanto não mandado por seu pai, seja para afugentar o espírito maligno de Saul, seja para ter notícias de seus irmãos no campo de batalha. Não se pode ser líder se, antes, não se foi um liderado. Não se pode mandar, se, antes, não se aprendeu a obedecer.
Nos dias hodiernos, muitos querem mandar, muitos almejam alcançar posições de mando, sem, no entanto, aceitarem passar pela posição de servos, de comandados. Quantos hoje desrespeitam seus superiores e depois de galgarem um degrau acima exigem respeito dos seus liderados? A liderança exige que se tenha aprendido a obedecer, pois é por meio da humilhação, da submissão que se atingirá a exaltação, a primazia. Davi teve de aprender a lição da obediência para poder ser um grande líder. Você deseja ser um bom líder? Então seja um ótimo liderado.
Não foi apenas em casa de Jessé que Davi aprendeu a lição da obediência. Quando foi levado para a casa de Saul, ali também teve de aprender a obedecer. Posto como um dos chefes de uma gente de guerra, dado o prestígio por ele amealhado na vitória sobre o gigante, Davi não se fez chefe, mas, pelo contrário, é dito que saía aonde quer que Saul o enviava e conduzia-se com prudência (1Sm.18:5).
Para ser um bom líder, é mister que se tenha sido um liderado exemplar. Davi era obediente e submisso a Saul e o resultado disto foi que, enquanto chefe de uma gente de guerra, foi considerado como aquele que feria dez milhares. Se esta afirmação do povo despertou a inveja de Saul, o fato é que foi por causa dela que Davi passou, então, a chefe de mil (1Sm.18:13), o que se constituiu numa promoção na hierarquia militar. A obediência, a prudência e a dedicação são fundamentais para que se constitua uma liderança eficaz.
É importante ressaltar que, tornado chefe de mil, Davi não modificou a sua maneira de ser. Pelo contrário, a Bíblia nos diz que, feito chefe de mil, Davi saía e entrava diante do povo (1Sm.18:13), ou seja, suas campanhas militares eram feitas de modo transparente e com contato popular. Ao contrário de Saul, Davi não se isolava, mas mantinha uma comunicação com Israel. O resultado desta empatia, ou seja, desta comunhão de sentimentos e de desejos, foi que Davi passou a ser amado por todo o Israel e por todo Judá (1Sm.18:16).
O líder é amado pelos seus liderados, porque, antes, os amou. Jesus é amado da Igreja, porque nos amou primeiro (Jo.13:1; 1Jo.4:19). Eis o segredo de muitos líderes fracassados na atualidade: querem ser amados, mas não amam.

Abraços abençoados, Pr. Adson Meira