Jejum com propósitos
Conquistando o coração de Deus
Conquistando o coração de Deus
O jejum é a abstenção total ou parcial de
alimentação com a finalidade de aprimoramento do exercício da oração e da
meditação. É uma prática encontrada nas mais antigas religiões da humanidade,
em todos os lugares e nos mais variados estágios da civilização.
A Bíblia não considera o jejum como uma
penitência ou um sacrifício necessário para o desenvolvimento espiritual, pois
devemos também ter o nosso corpo envolvido no anúncio da salvação, tanto que
Deus o tornou templo do Espírito Santo (1Co.6:19). O jejum é uma prática
recomendada, mas é um método para reforço da oração, não algo que possa trazer
algum mérito ou que demonstre haver algum merecimento na vida de algum homem,
pois tudo o que recebemos de Deus é fruto da Sua imensa misericórdia e graça
(Lm.3:22). Este errôneo conceito de jejum próprio dos gentios, foi o motivo da
reprovação da prática farisaica, como vemos no sermão do monte (Mt.6:16).
Assim, ao contrário do que argumentam alguns falsos mestres nos nossos dias,
Jesus não reprovou o jejum, mas, sim, este errado conceito de jejum.
Quando falamos em jejum, há aqueles que
entendem que o jejum é a abstinência completa de todo e qualquer alimento,
tanto água quanto os demais alimentos, não aceitando a idéia de que possa
existir um jejum parcial. Entretanto, devemos compreender o jejum como uma
abstinência total ou parcial de alimentação. O jejum envolve uma abstinência,
uma privação, que pode não ser completa. Um exemplo bíblico de jejum parcial
encontramos em Dn.10:3, onde o profeta afirma que não comeu manjar desejável,
num exemplo de que a abstinência não era total. Desta forma, não temos respaldo
bíblico para afirmar que todo e qualquer jejum somente é válido se for total.
O conceito de jejum, ademais, não envolve
apenas a ideia de privação alimentar. O jejum, também, é caracterizado pela
existência de um propósito, de uma finalidade precisa e clara. É exatamente
este o ponto em que Jesus
discordava dos jejuns praticados pelos fariseus, que eram práticas rituais,
formais, meras ostentações, sem qualquer propósito senão o da auto-glorificação
e da auto-exaltação. Devemos jejuar sempre que temos um motivo, um propósito,
um objetivo definido e estabelecido. Sem que haja este propósito, o jejum será
tão somente uma privação alimentar, uma dieta. É a existência deste propósito e
desta finalidade que difere o jejum de uma simples privação alimentar. Jejuar é
muito mais do que simplesmente passar fome e sede e é neste particular que
muitos têm fracassado: buscam no jejum uma ostentação, uma auto-glorificação e
o que conseguem, com isso, além da reprovação divina, é tão somente instantes
de privação alimentar, uma dieta que, às vezes, nem benefícios traz para a
saúde física do que jejua.
As pessoas que não têm condições de jejuar,
seja pela sua saúde física, seja pela sua idade, seja pela natureza de suas
atividades que impedem tal prática, não devem se martirizar ou achar que serão
menos crentes porque não podem jejuar, mas devem compensar esta impossibilidade
por outras práticas igualmente relevantes e edificadoras, como a oração e a
prática do amor cristão.
Na lei
de Moisés,
o jejum foi estabelecido como obrigatório no dia da expiação, quando o povo
deveria "afligir a sua alma", expressão que significa, precisamente,
praticar o jejum (Lv.16:29 - na Nova Versão Internacional, o texto diz : vocês se
humilharão (ou jejuarão)). Vemos, portanto, que o primeiro propósito do jejum
que se encontra na Palavra de Deus é o de humilhação, de arrependimento de seus
pecados. Esta mesma idéia para o jejum encontramos no tempo de Samuel (I
Sm.7:1-12) e até mesmo fora de Israel, como ocorreu entre os ninivitas após a
pregação de Jonas (Jn.3:6-10).
Nos dias
de Jesus,
o jejum era uma prática constante e regular entre os judeus, desde os essênios,
que se isolavam da sociedade, até os fariseus, que era o grupo religioso mais
numeroso daqueles dias. Os discípulos de João Batista também jejuavam
(Mt.9:14). Indagado sobre o motivo pelo qual Seus discípulos não jejuavam,
Jesus respondeu aos discípulos de João Batista que não era o período de Seu
ministério o tempo oportuno de jejuar, mas dias viriam em que deveria haver
jejum por parte dos cristãos (Mt.9:15).
O próprio Jesus afirmou, categoricamente, que
os crentes haveriam de jejuar, prova de que isto não foi abolido pelo Senhor. Jesus
não disse que os cristãos não jejuariam, mas que não se fazia necessário jejuar
enquanto Ele estivesse ali, ao lado dos discípulos, em carne e osso,
orientando-os, ensinando-os e os guardando de todo o mal. Por que precisariam
jejuar numa situação como esta? Entretanto, após a glorificação do Senhor, já
vemos a igreja jejuando para buscar a orientação do Espírito Santo (At13:2).
O mais importante aspecto do jejum é o seu
lado espiritual, ou seja, somente pode jejuar quem estiver em comunhão com o
Senhor, ou seja, a privação de alimento somente tem validade quando a pessoa,
antes de se abster da comida e da bebida, já se absteve do pecado, da prática
do mal. Este ensinamento encontra-se no livro do profeta Isaías, no seu
capítulo 58.
Abraços abençoados.

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